Na minha opinião, os sonhos são muito mais do que simples recursos do inconsciente, misturados com desejos e acontecimentos do quotidiano. Para mim, sonhar é uma segunda vida, rica, palpável e real. Achamos que esta vida em que estamos acordados fisicamente, é a única e a verdadeira, e que os sonhos são apenas viagens da mente e algo a desvalorizar, mas pensemos, enquanto sonhamos, as coisas não são também reais? Não conseguimos tocar pessoas, objectos, sentir cheiros, ouvir música, fazer amor, nadar? Porque seria, então, essa vida falsa, e esta a única e real? Parte de sonhar tem a ver com o tal inconsciente, mas acredito também que atravessamos dimensões, que viajamos em astral e que somos mais totais do que somos nesta fisicalidade quotidiana, porque estamos livres do corpo e de limitações.
Não sei quando começou exactamente, mas a dada altura, passei a ter sonhos conscientes. Inicialmente só acontecia nos sonhos assustadores. Sempre que tinha um pesadelo, sabia automaticamente que estava a sonhar e forçava-me a acordar, arregalando os olhos no sonho. Sempre funcionou. Isso fez-me entender que parte de mim sabia que estava noutro lado, e que, talvez, pudesse brincar com isso. Quanto mais pensava no assunto, mais consciência ia tendo, e comecei a explorar mais, escolhendo o que ia fazer (ou com quem ia fazer, sim... ahahahah). O que reparava é que quando as coisas começavam a ficar mais emocionantes, acordava. Li depois, algures, que, quando sonhamos com algo intenso, o ritmo cardíaco aumenta e, por isso, acordamos. Eu não queria acordar! Li alguns livros, e descobri alguns truques que ajudavam a prolongar a consciência no sonho e continuar a dormir. O que funcionava melhor comigo era esfregar as mãos. Não tinha a noite toda sonho consciente (nem sei se queria), mas todas as noites, nalguma parte, eu sabia que estava a sonhar e brincava com isso.
Não sei se acontece a muita gente, mas há dias, em que os sonhos são tão intensos, que ficam colados a mim o dia todo. Acontece-me, por exemplo, envolver-me com alguém durante os sonhos, e ficar ligada à pessoa durante umas horas depois de acordar. Prolonga-se um pouco do amor/atracção que se viveu e só desvanece passado um tempo. Não consigo controlar, trago um pedaço daquele mundo colado a mim, como um véu ligado às minhas costas que me faz viajar, durante o dia, entre os dois reinos.
Nos últimos tempos, tenho tido das viagens mais intensas da minha vida. Tudo daquele lado é mais mais rico, mais glorioso, e, se antes, tinha mil sonhos, agora, tenho só alguns, mas muito mais longos. Às vezes, durante a noite, vivo a história duma vida...
Onironauta, termo criado por Stephen La Berge na Universidade de Stanford em 1980, é o explorador do sonho1 , é aquele que consegue dominar o sonho e assim conduzi-lo da forma que desejar(do Grego Oniro óneiros, Sonho + Nauta náutés, navegante/explorador).



