Aqui, a cama partilhada, ganha outros contornos e profundidade (ver o meu post anterior "Partilhar cama com parceiros"). Eu não sou pelo sono partilhado com parceiros só porque é esperado, principalmente quando é claramente desconfortável e não permite um sono relaxado e reparador. Mas sou a favor do sono partilhado com os filhos, enquanto eles assim o desejam e desde o dia em que nascem. Dormir com as crias facilita uma amamentação prolongada e feliz, transmite serenidade, permite-nos estar atentas a qualquer reacção que o bebé possa ter.
Durante a gravidez li bastante sobre attachment parenting, termo que descreve uma parentalidade consciente, próxima, fiel à nossa natureza, que abraça o sono acompanhado, o babywearing (andar com os bebés no pano/sling/manduca), o toque constante, a amamentação em livre demanda com desmame natural. Esta forma de parentalidade, intuitiva e natural, é muito diferente daquela que é praticada pela maioria dos pais nos dias de hoje (pelo menos nesta sociedade), mais fria, que faz uso de carrinhos, berços, parques, cadeiras de balanço e outros objectos que distanciam as crianças de nós, que grita frases como "os bebés precisam de aprender a ser independentes" e "os bebés têm manhas". Não digo que os pais que dão colo o dia todo, amem mais os filhos do que aqueles que defendem que "deixar chorar é bom, para abrir os pulmões e se habituarem a desenrascar sozinhos"(e outras pérolas terríveis como esta). Não é questão de uns amarem mais do que outros, mas sim de uns estarem mais perdidos do que outros, nisto da consciência sobre o que é um bebé e do que ele necessita. Ouço, muitas vezes, a frase "todas as mães sabem o que é melhor para os seus filhos", mas por mais que a repitam, não a torna numa verdade. A maioria das mães NÃO sabe o que é melhor para os seus bebés. Se uma mãe acha que deixar um bebé chorar é bom, se uma mãe acha que pôr um recém nascido a dormir sozinho num quarto isolado é bom, ou que dar leite em pó é maravilhoso, ou que bater e dar aeron é positivo, desculpem, mas NÃO sabem o que é melhor para os seus filhos. Porque todos os bebés são diferentes, é verdade, mas há coisas de que todos os seres humanos precisam, sem excepção! Todos os bebés precisam de afecto, presença da mãe, leite materno, um abraço que os conforta quando têm medo ou dor.
Grande parte das mães, não se dá sequer a possibilidade de ser simplesmente mãe, pede aos outros que a ensinem a sê-lo. Pergunta ao médico onde por o filho a dormir, pergunta à vizinha como alimentá-lo, pergunta à cunhada como ensiná-lo a ser autónomo, acredita na opinião de quase toda a gente, ignorando completamente aquilo que está dentro de si.
Grande parte das mães, não se dá sequer a possibilidade de ser simplesmente mãe, pede aos outros que a ensinem a sê-lo. Pergunta ao médico onde por o filho a dormir, pergunta à vizinha como alimentá-lo, pergunta à cunhada como ensiná-lo a ser autónomo, acredita na opinião de quase toda a gente, ignorando completamente aquilo que está dentro de si.
Quando o meu filho nasceu e me vi com aquele serzinho no colo, percebi, numa onda de um amor tão novo e avassalador, que dormir com ele, pegar nele, acalmá-lo no choro, não precisava de me ser transmitido em livros ou comunicado por amigos para que eu quisesse fazê-lo, simplesmente estava ali, claríssimo dentro de mim. Eu sabia que estar perto dele é o que devia e QUERIA fazer, sabia que deixá-lo chorar me cortaria a alma e que o meu leite e colo o acalmariam nas horas mais difíceis. Eu não soube disto por ser mais inteligente ou iluminada do que outras mães, que acham que dormir na cama dos pais é péssimo ou que pegar ao colo quando choram é um hábito terrível, soube disto porque me permiti OUVIR, porque me permiti CONFIAR, porque me permiti entregar-me nesse novo papel da minha vida. E hoje, passados 3 anos, posso ver como esse caminho da parentalidade natural e consciente, é o único que poderia ter seguido. É o único caminho que pode ser seguido a quem se permite ouvir, a si e à sua cria.
Amo-te, meu filho, meu professor, meu amigo, meu amor <3

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